Os
avanços ocorridos na tecnologia digital têm provocado grandes transformações no
mundo contemporâneo. Essas transformações representam um verdadeiro desafio
para a educação, para a formação e atuação e de seus diferentes profissionais,
entre esses o gestor escolar.

Em
suma, a popularização da utilização do computador modificou completamente, a
sociedade. Hoje o número de pessoas que realizam as mais diversas atividades,
utilizam sistemas, softwares e navegam na Internet cresce a cada dia que passa.
Vantagens e facilidades são descobertas. Informações são divulgadas,
interatividade, relações pessoais e profissionais são estabelecidas,
negociações são discutidas, notícias divulgadas instantaneamente, compras e
outras necessidades do dia-a-dia ganharam um grande espaço no que denominamos
de web. Mas será que esse espaço é acessível a todos? Certamente responder esta
questão é um dos desafios não apenas das políticas públicas, mas também das
instituições educacionais e consequentemente da gestão escolar.
Assim,
diante desse contexto termos tais como “Inclusão Digital”, “Infoinclusão”,
“Exclusão Digital” e “Infoexclusão” começam serem utilizados em constância
Vamos nos pautar na discussão do primeiro: O que é Inclusão Digital?
Entre as diferentes definições desse termo, simplificamos
cotidianamente, que ser e/ou estar incluído digitalmente é ter acesso a um
computador, a internet ou a outras tecnologias. Dessa forma, muitas das
políticas públicas que visam incluir digitalmente a população, equipam escolas,
criam centros de informática, oferecem cursos de treinamentos e disponibilizam
pontos de acesso nas mais diferentes localizações geográficas de muitos
municípios.
Entretanto
não é a mera disponibilidade destas tecnologias que torna um indivíduo incluído
digitalmente. Frente à chamada revolução digital, fenômeno que não se dá por
livre e espontânea vontade da população, mas expande-se por uma nova ordem
social de um mundo globalizado, incluir digitalmente significa “[...] pensar em
estratégias de como toda a comunidade, e não só um grupo de indivíduos
privilegiados, pode dar um passo adiante no que tange o seu crescimento e seu
bem-estar”
Dessa
maneira podemos definir Inclusão Digital como o ato de dar acesso a tecnologias
de informação e comunicação a toda população, oferecendo também todas as
condições necessárias para que elas utilizem computadores e todo e qualquer
dispositivo digital a fim de buscar melhorias em suas condições de vida e de
toda a sua comunidade (Paulo Roberto Montanaro)
A
busca de melhorias de condições pode ser facilitada, por conseguinte interatividade
proporcionada pelas próprias características da Web. Por isso, defendemos que
pensar sobre “Inclusão Digital” é também refletir a respeito da postura dos
usuários diante das características e da evolução da própria Web.
Até
o final dos anos de 1990 a internet basicamente surgiu para informar e trocar
informações de maneira estática sem que os usuários tivessem algum tipo de
interação/alteração com os elementos inseridos (imagens, fundo pagina etc.). Isto
é, os usuários eram tidos como passivos de leitura, mesmo havendo uma gama de
ferramentas de compartilhamento de informações como blogs, listas e fóruns de
discussão, editores de páginas, etc. A essa denominamos de Web 1.0.
A
partir da década de 2000, com o fenômeno da “Web 2.0” os usuários passaram a
ter um papel ativo no processo de produção de informação e conhecimento na
internet. Grosseck et. al (2009, p.113) explica que:
O
“fenômeno” da Web 2.0 nos oferece escritórios virtuais, sites de
compartilhamento de fotos, vídeos, áudio e slides, espaços para a escrita
cooperativa ou colaborativa, uma profusão de comunidades virtuais e redes
sociais e até uma Segunda Vida (Second Life) virtual. Suas interfaces incluem
blogs, wikis, content sindication (RSS), tag-based folksonomies, social
bookmarking, compartilhamento de mídias, redes sociais e outros recursos.
Podemos
notar que a Web 2.0 permite a utilização de webwares, ou seja, aplicativos que
utilizam a própria Internet como plataforma - o Moodle, por exemplo – em
oposição a softwares, ou seja, aplicativos que utilizam o computador do usuário
como plataforma – O Firefox por exemplo.
Compreendemos
então, a Web 2.0 como uma mudança nos padrões de manuseio de aplicativos
dinâmicos online e sua proliferação entre diversos usuários, não se limitando a
programadores de informática, mas também incluindo aqueles “ditos” usuários
leigos.
Frente
a essas transformações começam emergir novas possibilidades de realizar-se o
ato educacional bem como novos modelos de ensino e aprendizagem. Entre estas,
há notadamente um impulso da modalidade da educação a distância.
A educação a
distância vem crescendo rapidamente incentivada pelas possibilidades
decorrentes das novas Tecnologias da Informação e das Comunicações – TICs e por
sua inserção em todos os processos produtivos, cada vez mais cidadãos e
instituições veem nessa forma de educação um meio de democratizar o acesso ao
conhecimento e de expandir oportunidades de trabalho e aprendizagem ao longo da
vida.
Podemos definir educação a distância como uma educação
independente de distâncias. Consideramos a diferença básica entre educação
presencial e a distância está no fato de que, nesta, o aluno constrói
conhecimento – ou seja, aprende e desenvolve competências, habilidades,
atitudes e hábitos relativos ao estudo, à profissão e à sua própria vida, no
tempo e local que lhe são adequados, não com a ajuda em tempo integral da aula
de um professor, mas com a mediação de professores (orientadores ou tutores),
atuando ora a distância, ora em presença física ou virtual, e com o apoio de
sistemas de gestão e operacionalização específicos, bem como de materiais
didáticos intencionalmente organizados, apresentados em diferentes suportes de
informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados através dos
diversos meios de comunicação.
O compromisso ético daquele que educa a distância é o de desenvolver um
projeto humanizador, capaz de livrar o cidadão da massificação, mesmo quando
dirigido a grandes contingentes. Para isso, é preciso ter como foco a
aprendizagem do aluno e superar a racionalidade tecnológica que valoriza meios
em detrimento dos fins.
Sobretudo,
Santella (2013, p. 24) pontua uma reflexão indispensável, a respeito da
educação à distância:
Quando
passamos para a educação a distância, creio que uma reflexão é indispensável.
Costuma-se chamar de educação à distância todas as formas de aprendizagem que
vieram depois dos meios de comunicação em massa, quais sejam o e-learning e o
m-learning. Embora o uso da expressão educação à distância seja
convencionalmente aceito para caracterizar todas as formas de
ensino-aprendizagem por meios digitais, discordo dessa generalização, pois ela,
mais uma vez, deixa de lado distinções que precisam ser consideradas. Creio que
é apenas ao modelo educacional próprio das mídias massivas que cabe com justeza
o título de educação à distância, tal como esta é operada via rádio,
telecursos, vídeo e outras via similares. Isto porque nesses casos, de fato,
trata-se de uma educação que se processa a distância, o que não é o caso quando
o computador entra em cena, uma vez que, cada vez mais a ubiquidade esta se
tornando constante, afastando decididamente a ideia de distância.
É
este, portanto, o cenário educacional que a gestão escolar é desafiada a lidar
nos dias atuais. Ressaltamos que o gestor escolar desempenha um papel primordial
na execução e implantação e implementação do Projeto Político Pedagógico da
Escola onde atua.
Para
tanto cabe ao gestor escolar a capacidade de planejamento, liderança e
iniciativa na mobilização de estratégias a perseguir a inclusão digital, sempre
desenvolvido com a participação e comprometimento da comunidade escolar
(funcionários, professores, alunos, pais e comunidade).
Almeida
(2004, p. 2) destaca que o envolvimento dos gestores escolares na articulação com
os diferentes segmentos da comunidade escolar, na liderança do processo de
inserção das TIC na escola em seus âmbitos administrativo e pedagógico e,
ainda, na criação de condições para a formação continuada e em serviço dos seus
profissionais, pode contribuir e significativamente para os processos de
transformação da escola em um espaço articulador e produtor de conhecimentos
compartilhados. Sendo assim necessário o comprometimento e envolvimento do
gestor escolar no processo de formação continuada para o uso das novas
tecnologias e mídias na educação (RIOS, 2011)
O
processo de formação continuada dos professores não pode ser simplesmente visto
como um treinamento para uso de tecnologias. Nesse sentido o desafio do gestor
escolar pode se pautar na articulação da formação reflexiva das diferentes
tecnologias com o desenvolvimento de diferentes projetos e ações. Entendemos
como formação reflexiva aquela que o professor é capaz de avaliar o seu próprio
trabalho, percebendo as implicações da prática pedagógica, a partir da
utilização das tecnologias, na aprendizagem dos alunos.
Antonio
(2009) aponta algumas estratégias para implantação de projetos da gestão
escolar no uso de novas tecnologias:
A
gestão escolar pode implementar um projeto de uso das novas tecnologias a
partir do levantamento dos usos atuais dessas tecnologias e de um plano de
ação, ou plano de metas, que tenha como objetivos, pelo menos:
A
inclusão digital de alunos e professores da escola
A
informatização dos dados dos alunos e dos professores e a correspondente
geração de relatório administrativo e pedagógico.
O
uso da Internet e de seus recursos Web 2.0 e a implementação de meios de
comunicação eficazes com alunos, professores e com a comunidade.
Ações
que permitem implementar esse plano de ação incluem:
Abertura
da Sala de Informática da escola ao uso dos alunos e professores
Estabelecimento
de parcerias estratégicas com a comunidade
Disponibilização
de recursos tecnológicos aos professores e aos alunos
Inserção
das TICs nos projetos pedagógicos da escola
Finalmente
compreendemos que o gestor escolar diante de diversas transformações pode
contribuir para o sucesso na inclusão digital de profissionais e estudantes
nesse contexto de revolução tecnológica. Para tanto são necessárias ações que partem
da reflexão sobre o atual contexto e da importância destas tecnologias,
perpassam a formação dos profissionais que atuam na escola, percorrem a
organização dos espaços físicos e permitem a inserção de estudantes no processo
de inclusão digital.
Referências Bibliográficas
SANTAELLA, L. Desafios da ubiquidade para
a educação. Disponível em: Acesso em: 02 fevereiro de 2015.
ALMEIDA, M.; e RUBIM, L. O papel do
gestor escolar na incorporação das TIC na escola: experiências em construção e
redes colaborativas de aprendizagem. São Paulo: PUC-SP, 2004.
GROSSECK, G. ; MARINHO, Simão Pedro P. ;
TÁRCIA, Lorena P. T. . Educação a distância baseada na Web 2.0: a emergência de
uma Pedagogia 2.0. Educação &
Linguagem, v. 12, p. 111-123, 2009.
RIOS,
Mirivan Carneiro .
O GESTOR ESCOLAR E AS NOVAS TECNOLOGIAS. Educação
em Foco (Amparo), v. 1, p. 1, 2011.